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Trump Diz Que Gosta de Lula, Mas Alega Sem Provas Que Eleição no Brasil 'Parece Ter Sido Fraudada'

Após manter cautela durante a campanha por receio de fortalecer o petista, presidente dos EUA quebrou o silêncio pós-segundo turno ao levantar suspeitas sobre o pleito; Casa Branca temia efeito rebote de apoio formal a Flávio.

VT

Por Da Redação

26/10/2026 às 17:12

Trump Diz Que Gosta de Lula, Mas Alega Sem Provas Que Eleição no Brasil 'Parece Ter Sido Fraudada'
Foto: Presidente do EUA, Donald Trump e Presidente do Brasil, Lula - Foto: JIM WATSON/ AFP, Reprodução

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quebrou o silêncio sobre o resultado das eleições presidenciais brasileiras na tarde desta segunda-feira (26) ao afirmar que tem apreço pessoal por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas colocar em dúvida, sem apresentar qualquer indício ou prova, a legitimidade da vitória do petista nas urnas sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Em declaração concedida a jornalistas ao ser questionado sobre o desfecho da apuração brasileira, o líder republicano declarou:

"Eu gosto do Lula, me dou bem com ele, mas as eleições parecem ter sido fraudadas."

— Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

A manifestação ocorre após um período de contenção deliberada da Casa Branca durante a corrida eleitoral. No último sábado (24), véspera do segundo turno, Trump havia evitado declarar preferência pública por Flávio Bolsonaro, limitando-se a responder que estava "apenas acompanhando" o pleito ao deixar Washington.

Donald Trump e Lula  — Foto: Ricardo Stuckert/PR

Cautela Estratégica e o 'Efeito Rebote' das Sanções

A discrição adotada por Trump ao longo da campanha rompeu o padrão de intervenções retóricas enfáticas que o republicano costuma empregar em disputas na América Latina. De acordo com apuração do jornal norte-americano The Washington Post, o recuo estratégico respondeu a avaliações da inteligência política de Washington, que identificaram que declarações abertas a favor do clã Bolsonaro acabavam por municiar o discurso de soberania nacional explorado por Lula, gerando ganhos eleitorais para a esquerda.

O diagnóstico teve origem na crise diplomática deflagrada em julho de 2025, quando Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros como retaliação aos processos judiciais enfrentados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, além de aplicar restrições de visto e bloqueios financeiros contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na ocasião, a reação contundente de Lula em defesa da soberania encontrou forte eco na opinião pública: conforme dados do instituto Genial/Quaest, a aprovação do governo federal subiu de 40% em maio de 2025 para 46% em agosto daquele ano, enquanto a postura de aliados bolsonaristas diante das sanções externas foi amplamente rejeitada pelo eleitorado.

Sob condição de anonimato, um assessor da administração norte-americana admitiu ao The Washington Post que qualquer sinal de ingerência direta favorecia o discurso governista em detrimento das pautas da oposição. A leitura foi compartilhada até mesmo por apoiadores de Flávio, como o comentarista político Paulo Figueiredo, que reconheceu o desgaste provocado pelas sanções econômicas na imagem do candidato do PL.

Relação Conflituosa e Articulação nos Bastidores

Apesar de não ter formalizado um endosso público na fase final, Trump celebrou abertamente a liderança de Flávio Bolsonaro no encerramento do primeiro turno, em 4 de outubro, classificando o avanço do senador sobre Lula como "uma vitória incrível". O republicano já havia recebido Flávio em audiência prévia na Casa Branca, intermediada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos desde 2025 atuando como articulador junto à ala conservadora americana em prol de sanções a membros do Judiciário brasileiro.

As relações bilaterais entre Brasília e Washington atravessam momentos de atrito contínuo desde o início de 2025, tensionadas pela guerra tarifária, pelas punições a autoridades judiciais e pelas reiteradas críticas do Executivo norte-americano às instituições brasileiras. A contestação retórica de Trump à apuração consolida os temores manifestados previamente pelo corpo diplomático internacional sobre eventuais desestabilizações institucionais vindas do exterior após o término do pleito.

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